Guillermo del Toro é um dos diretores latinos que caiu nas graças de Hollywood graças à competente obra: Espinha do Diabo (2001). De cara deram para ele a direção de Blade 2, continuação do longa inspirado no personagem dos quadrinhos da Marvel, e não é que o cara mostrou mais ainda que entende da coisa. Dois anos depois ele trouxe ao mundo uma das mais divertidas adaptações dos gibis para as telonas, Hellboy. Ai veio o estardalhaço em torno de Labirinto do Fauno, filme que é segunda parte da trilogia iniciada em Espinha do Diabo. Há alguns dias, tive a oportunidade de ver o mais novo filme do diretor mexicano. A qualidade do selo del Toro está lá, assim como as repetições de situações que todos nós já conhecemos dos outros trabalhos do padrinho de Cuarón e Iñarritu. O que, para mim, só fez o filme ficar mais divertido ainda.
O filme abre com Hellboy ainda criança e conta com a participação de John Hurt nessa cena. Nela, o “pai” do herói conta uma história sobre o mítico Exército de Ouro, que dá título à trama. Alguns anos depois do primeiro longa, Hellboy (Ron Perlman) se vê na tentativa de impedir que o principe Nuada (Luke Goss) adquira o controle do indestrutível Exército de Ouro que daria fim à humanidade. Mais uma vez Hellboy tem que salvar o dia.
O roteiro é feijão com arroz, mas mostra algumas surpresas no decorrer da projeção. Hellboy ainda busca a liberdade de poder andar por ai como uma pessoa normal e finalmente quando ele à alcança, vê que não é muito bem isso que quer, ele é um ser sem lugar no mundo, um ser como todos os outros que combate, um pária, assim como sua, agora esposa, Liz Sherman (Selma Blair) e seu parceiro inseparável, Abe (Doug Jones), e esse é um dos conflitos apresentados pela caneta do próprio del Toro que assina o roteiro, e boa parte do roteiro se sustenta ai. Hellboy é um ser que não é humano e não sabe ainda o que deve fazer da vida. O próprio principe Nuada questiona o herói na luta contra um monstrão a lá Cloverfield quem ele realmente é. Esse é um dos trunfos do roteiro, já usado em outros filmes, inclusive do próprio diretor.
A mistura de CGI e animatrônicos fazem um casamento perfeito e Hellboy 2 e mais uma vez os monstros e seres sobrenaturais são as alegorias mais bacanas. Na minha opinião é, até agora, as mais legais criadas por del Toro. O majestoso Anjo da Morte é aterrorizante e o que mais se destaca e também abre mais ainda o leque para continuações. Pena que o tal Exército de Ouro seja decepcionante e sinceramente, não me passou a sensação de perigo real que os heróis supostamente se encontravam.
O romance, pela ótica distorcida de del Toro, está presente nessa continuação. A situação entre Hellboy e Liz está, de certa maneira, estabilizada e agora é a vez de Abe Sapien descobrir o amor. O par romântico do “homem-peixe” é a princesa, Nuala (Anna Walton) irmã gêmea do vilão (rola uma coisa meio Irmãos Corso aqui).
O humor fica a cargo do irritante chefe de Hellboy, Tom Manning (Jefrey Tambor), do próprio Vermelhão e da surpresa no elenco, Seth McFarlane, o criador do genial desenho animado Family Guy (confesso que sou fã de carteirinha e não perco uma aventura de Peter Griffin e companhia) na voz do novo chefe do herói, o alemão gaseificado Johann Krauss claramente inspirado em no vilão Peter Gruber de Jeremy Irons em Duro de Matar 3: A Vingança. As piadas, poucas mas divertidas rendem alguns momentos bem legais, destaque para a cena no vestiário e para a cena de bebedeira entre Hellboy e Abe. Ainda na questão humor, me irritou bastante ver que a agência de Hellboy virou uma espécie de agência da MIB, inclusive com aquelas piadinhas que acontecem ao fundo, sem graça e com o simples propósito de entreter o público mais novo.
Hellboy 2: The Golden Army foi um ótimo exercício para del Toro fazer os seres fantásticos que só ele sabe fazer, inclusive basante elogiado pelo criador do personagem o quadrinista Mike Mignola (que aprova o personagem e universo bem diferente dos quadrinhos). Com o anúncio de que Guillermo del Toro vai comandar os dois filmes inspirados no Hobbit, não vejo um outro Hellboy tão cedo, mas sim, o Vermelhão tem vida longa nas telonas.
Vou confessar que quando ouvi falar, e ví algumas cenas, de Guardiões da Noite, de Timur Bekmambetov, fiquei empolgado e coloquei a minha expectativa lá em cima, pena que ela não foi correspondida. Fiquei tão desiludido que dispensei a oportunidade de ver Guardiões do Dia, segunda parte da série de fantasia comandada pelo russo. Quando fiquei sabendo que ele seria o diretor da adaptação do quadrinho, Wanted, não fiquei nem lá e nem cá, simplesmente ignorei e pensei “vou deixar para decidir se vejo ou não quando tiver a chance”. Ainda bem que optei por ver esse filme.
Antes de prosseguirmos, deixa eu falar: não conheço esse gibi, ok?! Bem, Wesley Gibson é um cara perdedor, tem um emprego péssimo, uma namorada e um melhor amigo traíras e uma chefe ridícula, em resumo, uma vidinha de bosta. Até que um dia ele descobre ser herdeiro do mais poderoso assassino profissional que já viveu. Ele é, literalmente, arrastado para uma vida dura onde matar não é uma opção e sim um meio de vida, ele agora é membro da Irmandade.
O filme começa bem, e termina da mesma maneira, não é daquele tipo de filme de ação que tenta se levar à sério. Wanted, no Brasil é O Procurado, não se leva à sério, e isso que é mais legal. As peripécias que seus personagens fazem, as situações absurdas e a trama bem bacana para um filme de ação, são os trunfos do longa, que é estréia de Bekmambetov na direção de um filme norte-americano. A cena que abre o longa é ridiculamente bem comandada, quando Mr. X pula de um prédio para o outro tirando armas e mais armas dos bolsos de seu paletó para depois ser abatido com um tiro de rifle à uma distância absurda é no mínimo divertida, confesso que a cada cena desse tipo eu dava gargalhadas de satisfação. E não fica por ai. O filme tem mais uma tonelada dessas cenas. A primeira de perseguição, a do trem, o tiroteio no final. Todas cenas muito bem decupadas e montadas, vale a pena ver o filme só por elas.
As atuações são na medida, sem exageros e também nenhuma digna de uma premiação. Destacam-se no elenco os nomes de Jolie e McAvoy que ilustram todos os posteres da produção, mas também tem um Morgan Freeman como uma espécie de Lucius Fox, da nova cine-série de Batman, bem mais hardcore no papel do lider da Irmandade. Também o rapper Common cada vez mais ganhando espaço em Hollywood e o colaborador constante de Bekmambetov, Konstantin Khabensk protagonista dos filmes Guardiões da Noite e Guardiões do Dia.
Se o que faltou em Guardiões da Noite foi roteiro, aqui ele é correto, ágil e mostra ao que veio em poucos segundos de projeção. Alguns puritanos podem até dizer que o roteiro só serve para ligar cenas e mais cenas de ação, só que todas as cenas de ação possuem uma razão para existir. Oras! Afinal estamos falando de um dos melhores filmes de ação do ano. Tudo bem que toda a questão levantada logo no início da projeção, sobre quem o personagem realmente é, é esquecida logo depois dos primeiros minutos e só reaparecer lá pelos últimos segundos.
Assim como em Guardiões da Noite, os efeitos especiais e a edição clipada são trunfos aqui. Volto a falar que Wanted é superior em tudo quando comparado à Guardiões. A computação gráfica, que Bekmambetov sabe usar muito bem, é usada para completar aquilo que os dublês não são capazes de fazer. Ela, a CGI, é usada para completar a cena e não para ser a cena. Aliada à edição clipada, as cenas de ação ficam muito mais divertidas. Não só nas cenas de ação a corriqueira montagem de Bekmambetov é usada. Se tem algum plano onde a câmera fica parada por mais do que alguns segundos eu não lembro de ter visto.
A reviravolta no meio do filme, mesmo sendo um pouco previsível e com um quê de Star Wars, é competente em não deixar o filme oco. Notem os detalhes que vocês vão perceber como é um pouco previsível.
Wanted é um dos melhores filmes do ano, isso eu, um fã assumido do cinema de ação incondicional. Vá ver, coloque sua expectativa lá em cima. Você não vai se decepcionar.
O novo filme de Neil Marshall, Doomsday, é, como diria muita gente que eu conheço, um forró forrado. O diretor dos bacanas, Dog Soldiers e Abismo do Medo, pisa na banana feio nesse universo apocalíptico, o pior que o filme tem tudo para dar certo.
Em Doomsday, uma parte do Reino Unido é assolado por um vírus e numa medida de tentar barrar a contaminação para o resto do território, o governo constrói um muro separando a zona contaminada da zona livre. Alguns anos depois, um novo foco do vírus aparece em Londres, que é o coração da tal zona livre. O governo britânico resolve enviar um time tático para a zona contaminada a fim de trazerem de lá os sobreviventes da primeira epidemia, que supostamente são a chave para a cura.
O filme, à princípio, parece uma homenagem às trasheiras clássicas de John Carpenter, só à princípio. Vamos aos poucos. Rhona Mitra, é uma espécie de Snake Plissken, com direito a tapa olho e tudo, que trabalha para o governo. Ela é uma militar durona com um passado nebuloso. A construção da personagem é bacana e uma referência direta ao personagem que imortalizou Kurt Russel no clássico de Carpenter. Marshal soube dosar o clima apocalíptico presente em Fuga de NY. Outra coisa em que vemos ali um quê de “quero ser John Carpenter” é a trilha sonora que acompanha Rhona Mitra e sua trupe, que logo logo vira carne de churrasco (cena forte diga-se de passagem).
Como disse lá no início, o filme do meio pro fim se perde e vira um corre corre descerebreado, toda a possível crítica à sociedade britânica se perde em meio à trasheira e gore gratúitos, bem diferente, como por exemplo, do excelente trabalho de Alfonso Cuàron em Filhos da Esperança. Ai também se encontra uma característica que pode deixar enjoada a platéia mais sensível, o gore e as trasheiras, boa parte praticadas pelos vilões do filme. Essas são absurdamente cruéis e de virar o estômago, como por exemplo o banquete do primeiro grupo de vilões... que nojo! Mas o meu lado sádico gosta disso, pena que aqui a simples razão dessas cenas é ser de virar o estômago e só.
Vocês lembram daquele suposto “filme” Robocop 4, que na verdade eram os dois ou três primeiros capítulos da tele-série do robô policial? Então, além de se perder da metade pro fim, Doomsday parece mais o piloto de uma série. Personagens que seriam importantes para a trama aparecem e desaparecem como num piscar de olhos, Malcolm McDowell deve ter trabalhado uns dois dias. E o final é tão aberto, mas tão aberto que dá até pra esperar o episódio da semana que vêm.
Ok, chega de detonar o filme, vamos falar agora o que presta. Rhona Mitra, ela por si só já vale o ingresso pra sala ou o DVD, acho que por terras brasílis Doomsday vai direto para casa. Não só pela beldade que ela é, mas também pela competência que ela monta a personagem. Tudo bem que é um chupin descarado de Plissken. Mas, assim como eu, boa parte da parcela que consome esse tipo de filme, prefere ver uma gata como Mitra do que um cara barbudo mancando. Outro destaque é o vilão Sol (Craig Conway, constante colaborador de Marshall). Tudo bem que o personagem é exagerado pacas, que o ator só grita, que pode ser o cara mais caricato dos últimos tempos, mas que é legal ver um vilão assim é. O cara é um misto de The Duke, o Isaac Hayes em Fuga de NY, e dos muitos vilões da cine-série Mad Max.
O filme começa de uma maneira, no meio é muda e no final é outra totalmente diferente. Vamos colocar assim, no início o filme tem um quê de filme de zumbi, eu já ia supondo que o tal vírus era uma coisa como o de Extermínio ou como a maioria dos filmes do gênero. Lá pro meio vira um misto de Fuga de NY e filme medieval, isso ai, medieval mesmo, com direito à espadas, cavaleiros, escudos e tudo mais. Lá pro final, vira uma espécie de Mad Max com direito a carros modificados à melhor maneira do Guerreiro do Asfalto. Como eu disse, o filme é um verdadeiro forró forrado, que não se mostra competente de maneira cinematográfica.
No início da carreira, John Carpenter emplacou diversos sucessos dos famosos filmes B, inspirados pelo cinema de ficção da década de 40, 50 e 60. Acredito que Marshal é um cara que conhece bem o trabalho de Carpenter e que quer sim ser como o ele um dia. Porém, Carpenter escorregou na banana de Fuga de Los Angeles para cá, quase duas décadas depois de lançar seu primeiro filme, e não num dos seus primeiros trabalhos. Se a intenção de Marshall é fazer uma tele-série com esse Doomsday, ok, vai fundo tá no caminho certo, agora se ele pretende ser um Carpenter da nova geração, é melhor repensar um pouco o que anda fazendo.
Há tempos que estou para escrever uma crítica sobre o novo filme do mestre George A. Romero, Diário dos Mortos, que não chegou nos cinemas daqui, exceto por uma ou duas exibições no Rio de Janeiro alguns meses atrás. Direto para DVD, não sei quando chega nas lojas, Diário, é, sem sombra de dúvida, superior ao esteriotipado Terra dos Mortos (2005) e é uma espécie de “abertura de olhos para os novos dias”, o mestre usa e abusa do universo digital aqui.
A trama acompanha um grupo de estudantes de cinema realizando um filme numa floresta, quando o mundo vira de ponta a cabeça. Zumbis começam a aparecer, cidades vão pro beleléu etc e tal. Sendo que, o diretor do filme (dentro do filme!) resolve registrar tudo com o intuito de espalhar a verdade para o mundo.
O filme é uma grande homenagem à quadrilogia dos Mortos, para quem não sabe são Noite, Despetar, Dia e Terra, tudo isso com dos Mortos no final. Ok, se você não conhece ou se conhece mas nunca viu, veja! Os três primeiros são obrigatórios para quem curte o sub-gênero de horror “Filme de Zumbi”. Pode-se até mesmo dizer que Romero trouxe isso para a sétima arte lá nos primórdios com A Noite do Mortos Vivos em 1968. Depois veio, o que eu considero o melhor de toda quadrilogia, O Despertar dos Mortos em 1978. Em seguida vieram Dia dos Mortos e Terra dos Mortos, 1985 e 2005, respectivamente.
A razão pela qual eu acho que Diário é uma homenagem aos outros filmes de zumbi do mestre é o uso de diversos elementos desse universo. Tem a coisa da correria, o confinamento, o “quem tem mais armas tem mais chances de sobreviver”, as tripas e sangue voando a todo momento e muito mais. Um prato cheio para fãs do gênero e prato mais cheio ainda para quem é fã do mestre.
O uso de câmeras digitais no filme evidencia, não só um abraço caloroso ao novo, mas também uma reinvenção do diretor. Assim como em Cloverfield e Bruxa de Blair, vemos um filme dentro do filme, só que aqui existe uma edição final do material, feita por uma das personagens, a durona Debra (Michelle Morgan). Não somos simplesmente atirados dentro da trama por uma fita mini-dv ou rolos de negativos achados numa floresta ou cidade destruída, temos um produto finalizado, com direito a trilha sonora e tudo mais.
Falando nela, a montagem é bem bacana. As duas câmeras usadas pelos estudantes para registrar os acontecimentos do fim do mundo são muito bem usadas, temos, quase sempre, dois pontos de vista do que está acontecendo. A cena em que os personagens chegam na casa de um deles, mais especificamente durante o ataque do irmão mais novo, e até mesmo dois pontos de vista em dois núcleos diferentes. Como na cena em que eles encontram a gangue. Uma câmera acompanha a discussão entre a gangue e os estudantes e a outra acompanha Jason (Joshua Close), diretor do filme dentro do filme, que divulga os vídeos de ataques de zumbi pela internet.
O roteiro escrito por Romero é bem legal, e, como disse outras vezes até aqui, abraça o “mundo novo”, ele recebe a geração YouTube de braços abertos sabe que aquilo é o futuro e entende como aquilo vai funcionar. Todos os filmes do mestre criticam e exploram alguma característica da nossa sociedade. Em Noite teve um pouco da coisa do racismo, em Despertar o consumismo e capitalismo, em Dia dos Mortos foi uma crítica aberta ao militarismo norte-americano e controle bélico e em Terra dos Mortos foi à nova paranóia norte-americana: o terrorismo. Romero reconhece que a geração hi-tech é quem vai mandar no sistema de broadcasting daqui uns anos, se é que isso já não acontece, afinal, você está lendo essa crítica num blog, que eu edito do meu laptop num canto qualquer. Quer melhor exemplo que esse?! Pois bem, a crítica de Romero em Diário tem tudo a ver com essa coisa de blog, YouTube, comentários, twiter, etc e tal, ele defende que esse é o verdadeiro meio de comunicação aberta, onde o usuário não tem medo de falar a verdade, doa a quem doer, um grande tapa na cara dos grandes sistemas de comunicação. O filme tem que ser visto pela galera da blogosfera, aposto que muita gente vai ficar babando.
Pode até ser legal essa recepção calorosa do mestre ao novo, mas é um pé no saco ficar ouvindo Jason o tempo todo falar que ele só quer mostrar a verdade e que é obrigação dele fazer isso. Essa na verdade é a única coisa que eu não gostei do filme, a repetição do que o cara pretende.
Sabe a cinesérie Resident Evil? Pois bem, muitos defendem que era Romero quem tinha que comandar os filmes, eu sou um deles. E não é que ele mostrou como poderia ter feito o filme baseado nos games de maneira fiel à linguagem criada no mundo binário? Lá pro final, quando os estudantes chegam na mansão do ator do filmeco que eles gravavam na floresta no início do filme, Romero brinca com as câmeras de segurança do lugar. Mais alguém ai lembrou um pouco dos jogos Resident Evil? Posso dizer que os meus olhos brilharam nessa hora e soltei um “Putz! Por que não colocaram ele pra comandar o filme?” Não ia ter aquela bobagem de Alice, Paul W.S. Anderson e sua verborragia fílmica... Enfim toda aquela bosta que é a série.
Diário dos Mortos é sem dúvida o filme dos Mortos do século 21, mesmo o mestre dizendo que não é uma série e sim filmes independentes. Ok mestre, o senhor sabe fazer filmes de zumbis como ninguém e que venham mais.
A única coisa ruim em Batman – o Cavaleiro das Trevas é que nenhum filme do Morcegão vai superar a segunda aventura comandada por Christopher Nolan. Pelo menos essa foi a impressão que tive assim que subiram os créditos finais do longa. Mesmo tendo quase três horas de exibição, o filme parece pequeno para tanta coisa que acontece na tela, incluindo todo espaço que cada personagem principal tem em foco. Para mim, é sim o melhor filme até hoje produzido sobre um herói dos quadrinhos. Chega de papo e vamos ao que interessa.
Se você ainda não viu, vá ver! A trama nos mostra uma Gothan City tentando entrar nos eixos com um promotor, Harvey Dent (Aaron Eckhart), prestes a colocar todos os mafiosos da cidade atrás das grades; Batman conseguiu enfim causar pânico entre os bandidos da cidade e conta com um “exército” de acólitos, cidadãos de Gothan que tentam imitar os atos do herói. Gordon (Gary Oldman) consegue ser mais ativo agora como tenente, até que o Coringa (Heath Ledger) mostra sua cara. Aí tudo vai pelos ares (literalmente).
Acho que os elogios à produção já foram suficientes para você entender que o filme é bom pacas. Mas se você não está satisfeito somente com isso, continue lendo.
Estou escrevendo essa critica de uma maneira tão entusiasmada que nem me lembro da última vez que gostei tanto de um filme assim. Vamos falar agora sobre um fato que chamou bastante atenção da mídia nos últimos meses: o falecimento de Heath Ledger. Eu, assim como Jack Nicholson, acho que Ledger foi morto pelo Coringa. O ator caiu de cabeça no papel de tal maneira que é difícil acreditar que ele estivesse atuando. É assustador, e comparações com o Coringa do filme de 1989 ficam difíceis de não serem feitas. Se Nicholson encarnou o palhaço da maneira que aquele filme pedia, Ledger fez o que o Coringa de 2008 exige, um vilão psicopata, subversivo, controlador e tudo mais que se possa imaginar, e diversas vezes se demonstra superior ao herói.
Ainda no campo das atuações, temos as mesmas consistentes do primeiro. Christian Bale, mais uma vez se mostra o melhor intérprete do Cavaleiro das Trevas, Michael Kane é uma das figuras mais importantes na carreira de combate ao crime do Batman, reforçando que Alfred não é um simples ajudante, Gary Oldman mostra sua competência habitual no papel do Tenente Gordon e claro, Morgan Freeman, como o outro mentor de Batman, Lucius Fox. Todos competentes em suas atuações e todos com espaço suficiente para mostrar a que cada personagem veio. Tem também um Aaron Eckhart como um convincente Harvey Dent/Duas Caras que, para quem ainda não o fez, nos faz esquecer aquela versão histérica do primeiro Batman de Joel Schumacher, em 1995, onde Tommy Lee Jones pagou mico. Substituindo a insossa Katie Holmes tem uma Maggie Gyllenhaal, às vezes deslocada e as vezes se igualando ao resto do elenco.
Como diretor, Chris Nolan é muito hábil e a qualidade gráfica e narrativa que vemos em The Dark Knight é mérito dele. O roteiro, baseado numa idéia de David S. Goyer, escrito por Nolan e seu irmão Jonathan é um dos melhores roteiros de filmes de ação que me lembro de ter visto. Não conseguimos ter um minutinho se quer para subir à superfície e dar aquela respirada, em momento algum senti o ritmo do cair, incrível, simplesmente incrível. Detalhe, a trilha sonora de James Newton Howard e Hans Zimmer completam ainda mais esse clima de tensão. Voltando ao campo da direção, é tão legal ver cenas feitas como antigamente, sem o CGI costumeiro em filmes do gênero. Um momento que me chamou bastante atenção foi a cena em que o Coringa deixa o hospital num incrível plano-seqüência sem truques de computação, tudo alí, feito na “cara” mesmo, com quilos e mais quilos de dinamite e muitas, muitas bolas de fogo. Sem contar é claro as cenas de briga, quase todas sem cortes. Outra coisa incrível também, são as cenas de perseguição (também, sem CGI, exceto quando o Batman passa com sua incrível moto ((que mais parece um tanque!!)) por de baixo de um caminhão). Outro trunfo do roteiro é a riqueza de detalhes com que a trama vai sendo montada de pouco em pouco. O planejamento de Bruce Wayne, Alfred e Lucius Fox para uma viagem do Cavaleiro das Trevas ao oriente, a fuga do Coringa da delegacia, detalhes, simples detalhes que se tornam um deleite aos olhos do público.
O escape de humor em Batman Begins era o fiel escudeiro do Cavaleiro das Trevas, Alfred, que lá tinha uma ou duas piadas despropositais. Em The Dark Knight, o humor é dissipado, as piadas são mais consistentes e dentro do contexto. É até um pouco doentio o que vou falar, o personagem mais divertido é sim o Coringa.
É inevitável falar mais do vilão. Em sua primeira aparição, sem contar a cena postada na quinta de manhã aqui no Hamburguerama, ele já mostra à que veio com a incrível “mágica” do desaparecimento do lápis (no mínimo hilária!). Podem me taxar de psicótico, mas, voltando a afirmar, o Coringa é o personagem mais divertido de todos. - SPOILER - Sem contar que ele é um nêmesis à altura do Cavaleiro das Trevas e muitas vezes até superior. Como já disse, o vilão parece ter “ganho” no final e é por causa dele que nosso querido Batman assume a culpa pelos atos falhos de Harvey Dent, já travestido em vilão Duas Caras, para deixar a imagem do promotor limpa, da maneira que era antes do acidente que o deformou física e psicologicamente. - FIM DO SPOILER Entre o início e o meio do filme, tem uma cena onde o Coringa tortura um dos imitadores do Batman... Sensacional!
Se em Batman Begins víamos um início, melhor um reinício rico do herói criado por Bob Kane em 1939, em The Dark Knight vemos um herói maduro. Porém, incerto de aceitar aquilo o que realmente é. Em determinado momento do filme, num dos milhares de clímaxes que existe nele, o vilão na pele de Ledger diz que o Coringa existe por causa do Batman e que eles viviam numa espécie de simbiose. E é verdade. - SPOILER - Batman termina o filme como um vilão para a sociedade. Porém, confortável com a situação em que se encontra, aceitando o pesado fardo de lutar contra os dois lados da lei na cidade de Gothan. - FIM DO SPOILER -
Para fechar, tem tanta coisa que eu poderia falar ainda, mas, quem vai querer ler uma tese sobre o filme? Pois bem, a trama escrita pelos irmãos Nolan é retratada num mundo real, onde a polícia é corrupta, os criminosos comandam, os políticos só pensam em si... Assim como em todos os lugares do mundo. A diegética de The Dark Knight é tão verossímil que se torna real toda a situação de sujeira na telona, afinal, vivemos numa sociedade decadente como a retratada no longa.
Só mais um pouquinho... The Dark Knight é o filme definitivo sobre o herói. Só espero que o terceiro, com certeza absoluta vai ter um terceiro com o mesmo elenco e com Nolan no comando, seja tão bom quanto. Posso até estar enganado, afinal saí da sala de Batman Begins com a mesma impressão.
Em tempos de discussão sobre o aquecimento global (desde que sou criança esse assunto está em pauta!) nada melhor do que ver uma deliciosa comédia (/romântica) “fofa” sobre um robozinho tentando salvar o planeta em que vivemos. Wall E é uma síntese perfeita entre entretenimento e educação.
Bem, a simpática história de Wall E nos mostra um planeta Terra acabado numa pilha de lixo e Wall E é o único de uma leva de robôs responsáveis por “limpar” o planeta. Tudo vai bem com o robô lixeiro até que um dia chega na terra a temperamental robozinha Eve (Eva na versão nacional) que tem uma missão secreta. Ah, sim, Wall E acaba se apaixonando por Eve.
Os primeiros minutos de projeção são contados sem diálogos, como prometido pelos produtores do longa na época em que rolaram os primeiros stills. Nada que os ruídos e trilha sonora não dêem conta. Tenho certeza que a molecadinha mais nova não vai pegar metade do que acontece nesses momentos.
As crianças mais novas que me perdoem, mas a maioria das animações de hoje são feitas para as “crianças” mais velhas (Nós adultos, óbvio!). Claro que moleque nenhum vai pescar as inúmeras referências ao clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço do mestre Kubrick. Falando nesse clássico, o vilão de Wall E, um computador que age para manter o sucesso da missão custe o que custar, que tem sua “alma” estampada por um olho mecânico vermelho frio é um primo bem próximo do temido HAL-9000, inclusive a cena em que o Capitão (voz de Jeff Garlin) se irrita é idêntica à muitas cenas de 2001 (A trilha sonora é outra que usa e abusa da trilha de 2001).
Referências à parte, Wall E constrói a relação do personagem principal e sua amada de maneira mais eficiente do que muitos filmes com centenas de falas entre personagens de carne-e-osso. Que aqui aparecem em duas versões, uma gerada por CGI e outra atores reais, o principal deles é Fred Willard. O que pode soar um pouco tosco, mas achei bem explicada a transição do real para o gerado em computador.
Ainda no assunto, os personagens humanos são mostrados de agindo de maneira robótica, bem mais robótica que os próprios robôs presentes na película. Quando somos apresentados aos seres-humanos, vemos pessoas bitoladas, preguiçosas, com a cara colada num computador, bem semelhante a uma parcela da população mundial hoje em dia. Podemos até mesmo dizer que Wall E é um tapa na cara dessa geração que prefere ficar no MSN do que ir até a mesa ao lado e falar pessoalmente com o colega. Outra coisa, os humanos são tão preguiçosos que sequer se levantam, se a evolução da raça continuar seguindo por esse caminho, Wall E um dia será chamado de profético.
É interessante analisar como as duas espécies de personagens se comportam de maneiras bem diferentes. De um lado temos os robôs, em especial Wall E e Eve, que se importam com coisas mundanas, como o toque e sentimentos. Já os seres-humanos, se mostram seres frios, fazendo praticamente nada e vivendo num mundo artificial, quase uma Matrix sem o mundo da ilusão, a não ser aquele criado por cada indivíduo.
Wall E levanta questões complexas e deixa muitas perguntas na cabeça do espectador. É um filme muito mais para se pensar do que para dizer “que fofo!”.
Claro que em se tratando de uma animação da Pixar, não poderia se deixado de fora as piadas, que recheiam, em grande estilo, o decorrer dos seus 98 minutos de projeção. Como disse os primeiros minutos, sem diálogos, ficamos sabendo um pouco mais sobre o cansativo e penoso dia-a-dia de Wall E, claro que muitas piadas, ao melhor estilo Pixar, acontecem ali. Na verdade, todo o filme, além de ser um tapa na cara como disse antes, é uma grande piada com a nossa sociedade. O roteiro, escrito pelo diretor do longa Andrew Stanton, lida muito bem com a ridicularização do ser-humano e vemos como cada vez mais ficamos dependentes de “seres-cibernéticos” (ontem mesmo ví que britânicos inventaram um robô barman!!!). Alguns de vocês poderão até rir de mim, mas fiquem sabendo que eu tenho medo (de verdade) daquelas maquinas que liberam a sua entrada e saída de shoppings, ou até mesmo de caixas eletrônicos... Sabem a Skynet da série do Exterminador do Futuro?
Falando no roteiro, tenho somente uma reclamação (SPOILER) Quando Eve retorna a nave Axiom com a planta, os robôs, principalmente o primo próximo do HAL-9000 faz um estardalhaço para o capitão ver logo a descoberta, o que, de alguma maneira representa o retorno dos seres-humanos ao planeta Terra. Momentos depois, esse mesmo robô revela ter a missão de não deixar os humanos retornarem. Ora! (FIM DO SPOILER)
Wall E é um prato cheio se você está afim de ver mais uma boa animação da Pixar (não cito a Disney porque não gosto da turma do Mickey!) e claro pensar um pouco sobre a sua situação no mundo e no que você pode fazer para melhorá-lo. Nota 10 para o simpático robozinho e sua trupe.
Uma bela surpresa é o novo filme do Gigante Esmeralda. O Incrível Hulk, é um filme digno sobre o personagem mais porradeiro da Marvel, deixa a desejar em alguns quesitos. Mas, leva a máxima do personagem aos extremos, nesse filme sim “Hulk esmaga!”
Dessa vez, vemos o Dr. Bruce Banner (Bruce Banner mesmo, sem aquela baboseira do David Bruce Banner do filme de 2003), em plena Rocinha (essa mesmo, a favela do Rio de Janeiro), tentando se “curar” do monstro que vive dentro dele. Porém, o general Ross (aqui vivido por William Hurt) não mede esforços para dissecar o Dr. Banner e extrair dele o segredo de Hulk. Bem, por ai vai, a história se desenrola de uma maneira tão ágil que nem sentimos os 114 minutos de projeção passarem.
Comandado pelo francês Louis Leterrier, O Incrível Hulk tem, não só a força física que o personagem exige, mas também um climão bem legal, que claramente, bebe na fonte da saudosa série setentista de mesmo nome. Aliás, o filme reaproveita conceitos tanto da série quanto do filme de Ang Lee. Não considero esse uma continuação do filme de 2003, o filme existe e aqui vemos alguma coisa que lembra ele, mas não é uma continuação e ponto. O filme em análise está mais para uma homenagem à série do que outra coisa, claro também a reinvenção, muito bem sucedida, do Verdão nas telonas.
Comparações entre os dois filmes do Hulk são inevitáveis. Todos os elementos que faltaram no primeiro filme aqui tem de sobra, o que não é uma coisa ruim. Nota, não estou falando somente da porradaria que faltou no primeiro, ok! Edward Norton pode ter sido um pé no saco dos produtores do filme, mas até que o cara, como sempre, é muito competente e dá aula de como interpretar o fugitivo Dr. Bruce Banner, bem diferente daquele apático e às vezes muito forçado interpretado por Eric Bana no filme de 2003. Outro ponto positivo no elenco é a escolha de Liv Tyler para o papel que foi da Jennifer Connely anteriormente. Tyler dá o tom certo e chega a emocionar um pouquinho na cena em que ela encontra Banner pela primeira vez. Antes que me xinguem, não considero Eric Bana e Jennifer Connely péssimos atores, muito pelo contrário, eu gosto de ambos. Não sei o que é, mas aquele outro filme é todo errado (exceto pela edição, sensacional!!!)
Outras boas surpresas no casting principal do longa são: o já citado William Hurt, que mostra uma faceta mais psicótica do que o de Sam Elliott e claro Mr. Orange, ou melhor Tim Roth na pele de Emil Blonsky que depois vira o vilão Abominável. Lá pro finalzinho aparece um Tim Blake Nelson, na pele de Samuel Sterns (o futuro vilão, Líder) um tanto quanto deslumbrado por estar atuando no filme do Verdão e ainda abrindo um possível novo arco de histórias para filmes futuros.
O diretor, Louis Leterrier, se mostra mais uma vez competente na direção de um filme de ação. Uma pequena retrospectiva da carreira do cara: Em 2005 ele lançou, aquele que eu considero o melhor filme estrelado por Jet Li fora de Hong Kong, Cão de Briga. No mesmo ano ele lançou Carga Explosiva 2, continuação do longa estrelado por Jason Statham... E só... Esse é o portfólio de direção do cara. Vai, olha a moral que o cara tem. Bem, ele estava cotado para ser o diretor de Homem de Ferro que acabou nas, igualmente, competentes mão de Jon Favreau. Foi então que a Marvel ofereceu à ele a direção do Incrível Hulk. Ok, chega de história, vamos ao que interessa. Leterrier é um diretor que sabe tanto comandar cenas de ação de tirar o fôlego quanto comandar um filme coeso e bem amarrado.
Hoje em dia é tão comum vermos filmes feitos parcialmente em CGI que nem me chama tanta atenção. Engraçado é que até um tempo atrás todo mundo fazia um estardalhaço quando um filme assim aparecia. Em O Incrível Hulk, o Verdão é tão real e verossímil que realmente dá para acreditar que ele está ali e não um cara vestindo uma roupa azul com bolinhas marcando as articulações. Incrível mesmo é a cena em que Hulk leva Betty para uma caverna para se abrigarem de uma chuvarada que cai, rola uma coisa meio King Kong ou a Bela e a Fera, mas o que impressiona é como o personagem em CGI se comporta nessa bela cena.
Mesmo sendo um filme com roteiro bem amarradinho, sem deixar muitas pontas soltas, tenho algumas reclamações à fazer sobre ele. Primeira de todas, é claro o português, ignorado durante a produção do longa e dublado para agradar os brasileiros, outra é a pouca participação da linda Débora Nascimento como uma paquerinha de Bruce no Rio de Janeiro. A terceira e a que mais me deixou cabreiro foi o lance de não ser simplesmente a raiva que faz Banner virar Hulk. Em determinada cena, que por sinal seria bem picante, ele decide parar o que está fazendo por estar muito excitado (???). Não engoli essa, mas passa. Ah, sim, faltou um pouco de aula de geografia pra produção do longa,
Caramba, impossível falar desse filme sem levar em consideração as referências. Já citei que o filme bebe tanto na série quanto no outro filme. Vamos lá. A abertura do filme é chupadérrima da abertura da série, assim como a trilha sonora, algumas coisas do figurino e claro, todo aquele lance de fugitivo que rola o filme todo. Isso tudo sem esquecer de Lou Ferrigno, eterno Gigante Esmeralda da série setentista. Aqui, ele meio que reprisa a ponta que fez no filme de 2003 e, digamos, “passa o cajado” para Edward Norton numa das cenas mais legais do filme.
Não podemos esquecer também da já esperada participação de Stan Lee, mente criativa da Marvel. Só que aqui a participação dele é um pouco mais importante que nos outros filmes.
Como a onda da Marvel é juntar seus filme de certa maneira à fim de executar o filme dos Vingadores em 2011, aqui também temos uma participação especial. Tony Stark (Robert Downey Jr.) aparece lá pelo final numa cena bacana onde ele fala um pouco sobre um grupo que está montando. Claro que não é só essa referência do universo Marvel que vemos aqui, tem lá também, o super-soro, que dá origem ao Capitão América, citações de Nick Fury e da Shield, entre algumas coisas legais para fãs dos quadrinhos da casa.
O Incrível Hulk é um filme digno do personagem. Com a Marvel comandando as produções baseadas nos seus quadrinhos a coisa fica bem mais divertida.
Em tempos remotos fui um cabeludo que ficava por ai tocando guitarra vestindo sempre uma camisa da maior banda do mundo, Metallica. Porém, cresci e abandonei as camisas pretas, cabelo comprido e guitarras, um pouco do fascínio pelo Metallica também.
Hoje pela manhã, tomado por uma nostalgia incontrolável, peguei a caixa do DVD, Some Kind of Monstrer (ainda no plástico!!) para ver se ainda conseguia me lembrar do que o Metallica significava para mim. A surpresa foi mais agradável do que poderia imaginar.
Confesso que sempre tive um pouco de pré conceito quanto ao filme em análise, achava mesmo que seria mais um making of do backstage da produção do último álbum da banda, o fodástico St. Anger. Confesso também que me desliguei do fascínio pela banda depois do fatídico cancelamento do show no Rio de Janeiro lá pelos idos de 2005 (ou 2004, não me lembro).
Mas do que se trata Some Kind of Monster? A proposta dos cineastas Joe Berlinger e Bruce Sinofsky era a de acompanhar a gravação, ou melhor criação do novo cd do Metallica, mostrando também os conflitos entre, até então, os três membros da banda James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammet e o produtor Bob Rock. Reza a lenda que o projeto nasceu para ser uma espécie de reality show, só que vendo o potencial do material, a banda e os cineastas resolveram resumir as quase 1600 horas de filmagens num documentário de duas horas e vinte.
É uma narrativa épica, assim mesmo como lemos na capa do DVD. Berlinger e Sinofsky pinçam uma época específica da banda e esmiúçam todos os pontos, importantes ou não. Basicamente isso define um épico, e o que acontece aqui é o seguinte: Os diretores ganharam na loteria em pegar essa época específica da banda.
Depois da morte do baixista Cliff Burton pelos idos de 1986, o período entre 2001 e 2003 foi o mais conturbado para o grupo e justamente estavam lá as câmeras e microfones para registrar todos os momentos de tensão, criatividade e de recordação (esse em especial para os fãs e para o próprio grupo). Tudo vai mais ou menos bem até que James Hetfield se interna numa clínica de rehab (coisa que anda em alta até hoje entre celebridades), ai a coisa só piora.
Engraçado em analisar um documentário (primeira vez que faço isso) é que esse em especial, parece um filme de ficção. A história contada ali é tão viva e tão bem orquestrada pela montagem que ao concluir parece que assistimos à um filme baseado na história da banda. O início tem um ar de tragédia anunciada, lá pelo meio tudo vai pelos ares e no final tudo vai bem.
Já que o documentário é sobre uma das maiores bandas da história, não poderia passar em branco importantes trechos da vida dos caras, como o fatídico reencontro com o ex-guitarrista Dave Mustaine, depoimentos do ex-baixista Jason Newsted e a escolha do novo integrante da banda, o musculoso baixista Rob Trujillo (legal aqui é ver a empolgação do cara ensaiando sozinho no quarto dele)
Ao ver o filme a impressão de que “agora sou mais intimo da banda” é mais verdadeira do que a de assistir um show dos caras. Ficamos dentro do cotidiano (bem certinho e bem controlado da banda), acompanhamos aspectos das vidas pessoais dos integrantes e coisas assim, quase um reality show sem a espetacularização e foco nas brigas e conflitos, claro que eles existem, mas o foco aqui é ver como nasceu St. Anger, ou melhor, como a banda em si renasceu.
Mesmo pisando na bola com os fãs brasileiros, o Metallica é sim uma das maiores bandas da história. O filme Some Kind of Monster nos mostra um pouco da genialidade por trás da carreira deles e claro também é um prato cheio para quem curte boa música. Metallicaaaaa!!!!!!!
Sei que publiquei a crítica no dia da estréia do filme, mas esse dia foi especialmente tenso para mim, motivos pessoais, entendem????
Bem, ainda falando um pouco mais sobre o filme, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filme de auto referência e auto reverência. Por que? Vocês disseram agora.
Bem, o primeiro caso já foi mais do que abordado na crítica, afinal toda a mitologia criada por Lucas e Spielberg se encontra aqui. As piadas e até mesmo cenas de ação fazem lembrar um pouco os outros filmes da série, já que tudo isso é marca registrada das aventuras de Henry Jones.
Agora o segundo caso, o da auto reverência não me deixou dormir enquanto não escrevi esse post. Spielberg abusa dos planos em contra plongée, quando a câmera vem de baixo mostrando a figura do personagem num patamar mais alto, imponente, intrépido, como se os espectadores fizessem reverência aquela imagem. Entenderam?! Uma técnica antiga, mas válida aqui, afinal qual fã não reverenciou alguma vez a imagem de Indina Jones? Essa técnica fica explicita no momento em que Indy salva Mutt de um índio, a mesma cena onde ele assobra a zarabatana ao contrário. A câmera vêm de baixo nos colocando no lugar de um fiel à sacra imagem endeusada de Indiana Jones. Vai, falando assim dá até pra ficar arrepiado heim?!?!
Ok, confesso que lembrei disso logo depois de postar a crítica. Porém, como o dia só tem 24 horas, não tive como postar esse, digamos, complemento.
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é uma aventura à altura do nosso querido Dr. Jones. Não é a melhor aventura do arqueólogo mais amado da sétima arte, mas sim um belo trabalho, e demonstração de vigor, de mais um personagem eternizado por Harrison Ford. Demorou mas saiu né?! Ouço a bastante tempo que Spielberg, Lucas e Ford, querem outro Indiana Jones, e ai está. Depois de muitas brigas e discussões sobre qual caminho seguir, os três chegaram a um consenso, já era hora.
Está tudo no lugar que deve estar. A abertura que brinca com o logo da Paramount (vale citar que é o logo antigo, o mesmo que aparece nos outros filmes da série), as inacreditáveis fugas do Dr. Jones e quem mais estiver com ele, o charme incomparável do pedigree Spielberg, o chapéu, o chicote e claro, a trilha sonora pela batuta do mestre John Williams. Nessa aventura, Indiana Jones se mete com um bando de russos lá por 1957. Os vilões da vez estão atrás de um artefato arqueológico cujo Indiana ajudou a escavar. E tudo tem relação com ets, perseguições em plena floresta amazônica e muita, muita aventura.
Para início de conversa, o filme é cheio de referências, não só aos próprios filmes da série Indiana Jones, mas também ao universo mítico que Lucas e Spielberg deram forma juntos, estão ai, a Arca do primeiro filme Caçadores da Arca Perdida, referências a, claro, todos os outros filmes da série e de personagens que não voltaram (Sean Connery e Dernholm Elliot, o primeiro porque não quis, o segundo porque nos deixou em 92), Marshall na jaqueta de um atleta (homenagem clara a Frank Marshall, um dos produtores da série), a lanchonete de De Volta para o Futuro (produzido por Spielberg), Indy derrubando um índio usando a mesma técnica que o jovem Sherlock Holmes usou para derrubar um vilão em Enigma da Pirâmide (produzido por Spielberg), entre muitas outras brincadeiras.
A quarta aventura de Indiana Jones começa bem, com ação vertiginosa antes de dar dez minutos no relógio, mas depois vai perdendo um pouco o fôlego, não que isso prejudique o desenrolar da trama, na verdade eu até achei um pouco necessária essa diminuída de marcha lá pelo meio do segundo ato. Voltando um pouco, o início é espetacular, impagável ver Jones fugindo de uma explosão nuclear dentro de uma geladeira, sensacional!
Vale falar também do roteiro, amarradinho de David Koep não é dos melhores, mas certas falhas podem ser perdoadas, como o esquecimento de que a tal Caveira de Cristal do título ter um poder magnético muito maior que muito ímã por ai e claro as tochas que estão em todos os lugares onde os personagens passam (afinal se elas não estivessem lá, como veríamos?!)
A comédia, outro importante aspecto dos filmes Indiana Jones está mais presente do que nunca, na impagável cena da cobra ou então naquela onde Jones descobre que é pai de Mutt (Shia LaBeouf), na verdade essas cenas são bem próximas, mas já vale o ingresso.
Falando em LaBeouf, ele trás um ar fresco à série, não que ele vai herdar o chapéu de Indiana nos próximos filmes (de acordo com Lucas, virão próximos), rola até uma brincadeira com isso perto dos créditos finais, mas sim um ótimo parceiro para novas aventuras. Nesse filme estão também John Hurt, no papel de um arqueólogo meio malucão, Ray Winstone, a voz de Beowulf, como um atrapalhado trapaceiro e a eterna Marion Ravenwood, parceira de Indy em Caçadores.
Do outro lado, os russos são basicamente a mesma coisa que os nazistas eram nos outros filmes, vilões frios com um único propósito, tentar parar Jones e sua trupe. Eles são liderados por Cate Blanchett, encarnando uma vilã que é um misto de Elsa (vilã de A Última Cruzada) e Belloq (vilão de Caçadores da Arca Perdida). E só, ela não chega a representar uma verdadeira ameaça a Jones. Se bem que vilão algum fez isso com o herói, nem Hitler o conseguiu.
A trilha sonora, regida por John Williams está lá, tão presente quanto o chapéu e o chicote. Uma coisa que me irritou um pouco foi a mania que Spielberg assumiu desde Minority Report, as luzes estouradas no fundo, eu sabia que em algum momento elas apareceriam, mas não é isso que marca a direção do cara. Spielberg é um dos poucos diretores que conseguem segurar o suspense até o último segundo, sem deixar você desgrudar da poltrona. (apesar de não termos visto isso nos últimos trabalhos dele).
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é uma volta aos bons tempos. Bons tempos onde víamos filmes de qualidade, não blockbusters despropositais como A Lenda do Tesouro Perdido ou coisa do gênero, mas sim um filme com vigor, assim como o intrépido Dr. Henry Jones. Que venham Indiana Jones 5, 6, 7...
Homem de Ferro é sim um filme bom, não é o melhor exemplar de uma adaptação dos quadrinhos para as telonas, nem mediano e nem ruim, é simplesmente bom. Na minha humilde opinião, o melhor exemplar de adaptações de quadrinhos ainda é Batman Begins, mas, vamos deixar o morcegão de lado.
Iron Man, nos apresenta ao milionário Tony Stark, playboy, mulherengo, genial e dono de uma mega-corporação que fornece armas para o exército norte-americano, só que um belo dia, após a apresentação do poderoso míssil Jericó, ele é seqüestrado, ferido gravemente e obrigado a trabalhar num projeto para o tal grupo. Tony vê suas armas nas mãos dos bandidos o que o faz reavaliar toda a sua vida de dedicação à criação de poderosas armas, assim nasce o embrião do que seria o herói, Homem de Ferro.
É uma história de origem que segue os passos do filme do morcegão. Nos mostra o herói sendo arrancado do seu normal e jogado num mundo diferente, onde ele não está mais seguro, onde o mundo não é mais um lugar legal de se viver. O que fica claro no filme logo depois que Tony vê toneladas de suas armas nas mãos dos terroristas, o mundo em que o playboy acreditava vai pro beleléu.
Ser seqüestrado por terroristas e ter um dispositivo implantado no peito impedindo que seu coração pare, foi a melhor coisa que aconteceu a Tony Stark, seus olhos foram abertos mostrando que o mundo não é um lugar bonito e colorido de vermelho e azul. O bon viván vê que ele contribui, e muito, para o mundo ser como é, um lugar governado por homens cruéis, um lugar onde tudo o que importa é o lucro. Suas armas matam pessoas inocentes e são usadas por aqueles que deviam ser combatidos por elas. E como o filme mesmo diz “Manda aquele que têm o maior bastão”
Toda a intensidade dramática do filme é centralizada em Tony Stark (Robert Downey Jr. numa de suas melhores atuações). Downey Jr. é quem leva o filme nas costas, tudo bem que temos toneladas de efeitos de tirar o fôlego, armaduras bem legais, dois caminhões e meio de referências para os fãs da Marvel, Terrence Howard e Jeff Bridges, mas é Jr. quem leva o filme nas costas. O playboy é interpretado com maestria por ele, Downey Jr. entende a cabeça de Stark e o faz com vida, como se fosse ele mesmo ali, uma atuação tão natural que nem percebemos que ele está interpretando um papel.
Outro trunfo do filme é a direção de Jon Favreau, empolgado desde o dia que assumiu a direção do longa. Essa empolgação fica estampada em cada plano do filme. Soluções engenhosas com a câmera e de direção me fizeram gostar ainda mais dele (gostei de Um Duende em NY). A cena mais legal é aquela onde Tony usa o Mark-1 (esses são os nomes das armaduras, Mark-1, Mark-2, Mark-3) para fugir dos terroristas. Câmera na mão, subjetivas... Soluções simples, mas que funcionam muito bem, ponto pra ele. Legal também é o vilão, Obadiah Stane. Jeff Bridges, que dá aulas de cinismo para ganhar um extra no final do mês. O resto do elenco está na média, mas todos estão bem legais, destaque desses para Terrence Howard, empolgado como sempre, também tem a Gwyneth Paltrow, chatinha como sempre. Detalhe para a cena onde Stan Lee, a mente criativa da Marvel, faz sua já esperada ponta, aqui como uma espécie de Hugh Heffner (dono da Playboy), porém creditado como Himself (???)
Legal também são as piadas. O humor está presente em todos os momentos, até naqueles tensos e Downey Jr. está ai de novo. Na coletiva de imprensa, nos testes com o Mark-2, na luta contra os caças F-22 etc... Downey Jr. consegue fazer com que a tensão se dissolva, inclusive no final, um dos mais originais, e engraçados que já vi (esse final conota bem a personalidade do empresário/gênio/playboy/herói, Stark). Destaque para as cenas em que ele contracena com o robozinho que o segue com um extintor de incêndio, simples mas hilária.
O roteiro é um pouco simples e recorre a recursos básicos, o que, na minha opinião, deixa o filme um pouco infantil. Vamos a um exemplo prático: Tony Stark, ao voltar para casa com o dispositivo no peito, manda sua assistente Pepper Potts (Paltrow) jogar fora tal objeto, já que esse está ultrapassado. Claro que a ruiva não joga fora e claro que aquilo vai ser muito importante no rolar da trama. Sério mesmo, quando estava vendo o filme pensei exatamente isso. Recurso muito primário, mas tá valendo, o filme é bem legal. Sem contar que a porradaria no final decepciona um pouco. A luta entre Homem de Ferro e o Monge de Ferro é curta e meio sem graça, vale mais a pena as cenas do herói contra os F-22 e ele detonando os bandidos que o seqüestraram no início. Interessante também que o filme é tão divertido que nem nos preocupamos com a questão “Belicismo & EUA”
Enfim, não vá ao cinema achando que vai ver um primor da sétima arte baseada na oitava. Iron Man é um filme muito acima da média, não é o filme do ano como muitos (eu também) achavam. Sem sombra de dúvida é um dos melhores filmes com o selo Marvel, agora dona de suas produções. Aliás, a Marvel mostrou um carinho muito grande pelo seu universo, colocando em Iron Man, não só, diversas referências de seu universo, inclusive uma cena extra no final onde aparece Nick Fury (Samuel L. Jackson), cena que não pude ver por causa da incompetência da sala que assisti. Como disse no post anterior, não vão às salas do shopping Via Parque do RJ. Lá você será acuado por funcionários que nem se quer sabem o que é uma “Cena Extra” e quando você for reclamar com o gerente, um senhor muito grosso e desrespeitoso, fique preparado para ouvir um simples “Não recebemos cena extra alguma”, mesmo depois de você ter ouvido alguns segundos dela...
Rolland Emmerich é um diretor hábil em conseguir engordar os bolsos dos estúdios. Mas, isso não significa, nem um pouco, que seus filmes sejam obras primas. E por mais que ele queira, seus filmes servem simplesmente para entreter durante um par de horas e mais nada. São rasos, bobos e tentam se levar muito à sério. Claro que o formuláico de Emmerich se repete em 10000 a.C. que não passa de duas horas de pura pipoca, é raso, é bobo e acha que é sério.
A trama nos apresenta ao planeta Terra cerca de doze mil anos atrás, onde o jovem caçador D´Leh deve atravessar meio mundo para resgatar sua amada, Evolet (Camilla Belle) e alguns amigos que foram seqüestrados por guerreiros de terras longínquas. Pode-se resumir a trama assim mesmo, já que o resto é puro blá-blá-blá.
O que dizer de um roteiro onde tudo é justificado por profecias? Ok, Matrix usou e abusou disso, mas tudo tinha um justificado, digamos, verossímil para aquilo, o que não é o caso de 10000 a.C. Tudo, eu disse tudo, no filme acontece por causa de profecias, imagina viver num mundo onde tudo é regido por palavras de anciões, albinos cegos, pessoas que acreditam ser deuses e qualquer outra bizarrice que se possa imaginar. Se você não consegue imaginar Rolland Emmerich e o co-roteirista Harald Kloser conseguiram. Só de curiosidade, esse é o primeiro roteiro escrito por Kloser, o cara é compositor de aproximadamente quarenta trilhas (wow!). Todas as viradas mais importantes do filme acontecem graças às centenas de profecias que permeiam a trama. Eu até acredito que os povos das antiguidades levavam fé nessa coisa de profecia, mas daí o roteiro usar desse “artifício” a todo momento, justificando inclusive viradas importantes na trama... fica duro de engolir.
Outro ponto fraco do filme cai para cima das atuações. Rasas como piscinas para crianças, nem a beldade, beldade mesmo, Camilla Belle salva com seus maravilhosos olhos azuis. Ah, sim, não poderia deixar de falar dos vilões. Eles são verdadeiras ameaças para os vilões, e surgem como monstros de outro mundo. Mas, assim como em o 13º Guerreiro (aquele filme de McTiernan com Antonio Banderas), eles não passam de homens normais com ares de sobrenaturais.
Ai é que surge uma interessante sub-trama na história. O líder do grupo que seqüestra os amigos e a amada de D´Leh, se apaixona por Evolet, criando um mal-estar dentro do grupo que comanda, gerando até mesmo uma disputa dentro dele. Mas fica nisso mesmo, e o cara, supostamente apaixonado pela beldade, não passa de um simples vilão cartunesco e estereotipado, até mesmo o porte físico do ator, com nome complicado, Affif Ben Badra, contribui para isso.
Em 1994 Emmerich abordou a construção das pirâmides no Egito e levou a fundo a teoria de que elas haviam sido construídas, ou melhor, idealizadas, por alienígenas. Aqui ele volta ao tema. Os vilões na verdade são escravistas que querem mão de obra para uma importante realização de seu “poderoso Deus”. O interessante aqui é que Emmerich volta a tocar num assunto que abriu as portas para ele. Já que falei no tal “poderoso Deus”, ele aparece como uma figura quase sobrenatural, mais parece um et. Mas, como disse, parece.
Apesar de estar inserido num contexto onde tudo é regido por profecias, nada de concretamente sobrenatural acontece, sem contar claro o final do filme. Diversas portas são abertas ao correr do longa, os vilões que são chamados de “Demônios de Quatro Patas” e o tal “Deus” são alguns exemplos do que poderiam cair para esse lado, menos lógico da coisa. Olha, até acho que isso é um ponto positivo no roteiro, não descambar pro lado absurdo, ele cria essa história num tom mais realista, fantasioso para D´Leh e companhia, mas para nós, seres-humanos do século XXI d.C. nos resta observar sem achar muita graça.
Falando a verdade: Diversos momentos do filme, eu, e todos na sala, gargalhamos, teve um cara que até mesmo se levantou para tomar ar. Mas, como não é um filme de comédia, isso não é bom. Claro que na história tem uma piadinha aqui, outra ali, mas nos momentos em que gargalhávamos eram aqueles onde o filme tentava se levar à sério como um épico. Vale destacar a cena onde o albino cego conversa com D´Leh, simplesmente hilariante.
A melhor coisa do filme é mesmo a belíssima Camilla Belle, mas vale destacar também o trabalho da equipe técnica, bastante competente na criação de uma fotografia bonita, arte bem trabalhada e animais totalmente gerados em CGI. Não chega a tirar o fôlego como os dinossauros de Jurassic Park, mas é um belo trabalho dos animadores e a interação com os personagens de carne e osso é incrível.
Sabe aquele cara que ajudou George Lucas a escolher os nomes em Star Wars? Olha, não sei se esse cara existe, mas, vamos lá, só de cabeça me lembro de alguns nomes da recente trilogia de Lucas: Capitão Panaka; Mestre Say Fodias entre outros. Dá para fazer algumas brincadeiras em português com esses nomes, certo? Então, em 10000 a.C. também dá. Vamos à alguns nomes: Nakudu (!!!!), Naku e o campeão Tic´Tic. Vai me dizer que o mesmo cara que escolheu os nomes em Star Wars não escolheu esses, deve ser algum brasileiro brincalhão (hehehe).
Se você tem menos de doze anos vai até se divertir um pouco, aposto que não vai rir como eu e não vai achar uma experiência maravilhosa como a de ver Jurassic Park no cinema. 10000 a.C. é um filme raso, pipoca pura, assim como todos os outros de Emmerich (tirando Stargate e Moon 44 – eu gosto desse último, é tosco e feito com as sobras de Alien mas fazer o que!). E se você não tem menos de doze anos, não leve o filme tanto à sério quanto ele mesmo, ele não passa de puro entretenimento despretensioso que só quer algumas horas de sua atenção e um par de notas de dez Reais.
Juno é aquele típico filme que você não consegue desgrudar os olhos. Nada de revolucionário vai acontecer, nenhum efeito em computação vai te fazer ficar boquiaberto, você não vai se assustar, você simplesmente vai ser envolvido pela história simples e se deixar levar até onde ela quiser.
A trama nos mostra a adolescente Juno (interpretada por Ellen Page, sempre ótima) que acaba engravidando do melhor amigo, Paulie Bleeker (Michael Cera, de Super Bad e da série Arrested Development) após uma única noite de sexo. Como eu disse a história é simples, mas, envolvente.
A narrativa é centrada na personagem título. Ela, a narrativa, explora ao máximo o universo de mais uma adolescente inconseqüente, mostrando logo no início uma imaturidade comum nessa idade. Na verdade, não só ela é a adolescente inconseqüente aqui, todos os amigos e colegas do colégio são “normais”, cada um com seus gostos, problemas, jeito de ser e imaturos, não é como em outros filmes e seriados onde tem sempre um, ou vários, jovens hiper-responsáveis que mais se parece com heróis perfeitos, só com qualidades, sem defeitos. Na verdade, Juno é tão verdadeiro que o problema da personagem de Ellen Page poderia acontecer em qualquer outro ponto do mundo.
Como não poderia deixar de citar, o roteiro, muito bem, escrito pela ex-stripper e ex-atendente de tele-sexo, Diablo Cody, sabe mesclar muito bem elementos dos gêneros drama e comédia. Ah, os diálogos são um show à parte. Juno e sua melhor amiga, Leah (Olívia Thirlby), são duas adolescentes que adoram falar palavrões e possuem quase que um “dialeto” próprio (pena que as legendas brasileiras não souberam captar o real sentido de muita coisa!), mas se você pensar bem, e se você se lembra, quem não tinha um “dialeto” com os amigos nessa idade. Frases rápidas, tiradas sarcástica e humor ácido (elementos que o diretor Jason Reitman adora) estão presentes em todo o filme, diria que é quase uma versão hardcore do seriado Gilmore Girls.
Outro ponto positivo do roteiro de Cody é basicamente a captura da essência do universo dos adolescentes. O que fica bastante claro quando vemos Juno em casa, hora parece odiar a madrasta, Bren (Allison Janney) e hora a ama como se fosse sua verdadeira mãe, o que é bastante típico num jovem que não é adulto e nem criança, uma relação de amor/ódio tão tênue que nem ele sabe ao certo que sente. O relacionamento entre Juno e seu pai, o ótimo J.K. Simmons (O J.J. Jameson de Homem-Aranha) é um retrato daquilo que acontece muito hoje em dia, um pai um tanto quanto ausente, mas que se faz presente quando necessário. Ele se questiona achando que a gravidez foi em parte culpa dele e dá todo o apoio quando a filha mais precisa. Outro grande trunfo do filme é sua trilha sonora. As músicas ajudam na construção diegética da trama, marcando passagens de tempo e até mesmo ajudando a ilustrar melhor o que Juno sente.
Logo no inicio, Juno resolve entregar o seu futuro... it (ela nunca se refere à criança que espera como filho sempre usa trocadilhos e muitos it´s) à um casal de yuppies, interpretados por Jason Baterman (pai de Michael Cera em Arrested Development) e Jennifer Garner (telesérie Alias). Nesse ponto vemos uma evolução na personagem de Page, a adolescente quer um futuro confortável para a criança. O talvez-futuro pai do neném é tudo aquilo que Juno admira, o cara se amarra num gibi, adora um som alternativo, fica até de madrugada vendo um gorezinho e é músico, na verdade ele é um amalgama daquilo que a maioria dos homens mais novos são hoje em dia, um misto de nerd com um cara hiper-cool, o que eu gosto de chamar de neo-nerd. Mas ai está o ponto fraco da trama. Cody não soube captar o que realmente esse neo-nerd é. Ela pode entender tudo quando o assunto é adolescentes problemáticas, mas compreender a cabeça de um neo-nerd... é outro assunto. Posso até estar tomando as dores do cara, me identifico muito com o personagem, mas, ele ficou com ares de vilão no final da trama, o que não me agradou muito.
Lá pelo meio do filme até parece que vai rolar um romance entre Mark (Baterman) e Juno, o que pode ser interpretado como uma busca do que um quer ser com a do que o outro gostaria de voltar a ser. Juno, numa situação muito além de sua compreensão e maturidade se vê como adulta, já o talvez-futuro pai adotivo do it dela vê Juno como uma sombra do que ele foi o seu passado e do que ele gostaria de voltar a ser. Quase como um encontro de metades. Só que, mesmo antes de se dar conta, Juno percebe que o cara não é aquilo que ela quer, na verdade ela se questiona se ele é o pai perfeito para a criança.
A comédia é bastante presente no filme, só que não é aquele tipo de comédia adolescente ridícula que usa escatologia como desculpa para fazer graça, a graça aqui está nos diálogos, nas situações cotidianas do universo dos jovens e nos personagens a lá Jared Hess (Super Nacho e Napoleon Dynamite). Indo mais fundo nessa questão, diria que Juno está para os dias de hoje assim como o classicaço Clube dos Cinco está para a geração adolescente dos anos 80.
Juno é um filme que alcança êxito em tudo aquilo que se propõem, é uma comédia divertida, um drama contemporâneo e um filme fácil de se gostar. Com certeza vai estar numa das minhas prateleiras de DVD assim que chegar nas lojas.
Fruto da geração do suspense/horror espanhol, El Orfanato, no original, não surpreende tanto como outros exemplos do gênero. Para início de conversa, Guillermo del Toro, assina a produção e, obviamente, é o primeiro nome a aparecer na tela, já que com o sucesso de Labirinto do Fauno e dos blockbusters estadosunidenses HellBoy e Blade 2, del Toro é sigla de sucesso garantindo. Pena que diferentemente de outras produções do gênero, El Orfanato é um filme que se vale dos sustos mais clichês do cinema de suspense/horror, mesmo assim é um filme competente e segura o espectador até o último segundo.
Laura (Bélen Rueda) passou parte de sua infância num orfanato. Agora adulta, ela, numa espécie de compromisso com o passado, compra a antiga casa onde funcionava o tal orfanato junto com seu marido o médico Carlos (Fernando Cayo). Ela tem a idéia de fazer dali um centro de apoio à crianças com problemas, assim como seu filho adotado Simón (Roger Príncep) que é soro positivo. Na festa de inauguração da casa, Simón desaparece deixando seus pais desesperados. Ah sim, Simón tem amigos “imaginários”. O filme então mostra a luta dessa mãe desesperada para achar o filho que precisa de cuidados constantes e ainda um confronto com o passado dela.
O Orfanato é um filme sensível, apesar dos sustos, e que fala basicamente de amor, assunto que já foi abordado em Horror em Silent Hill, e comparações com o filme baseado no game não ficam só por ai. O final é praticamente idêntico ao do mostrado em Silent Hill. Mas, diferentemente da carnificina e cenas de total gore mostradas no filme de 2006, o mais violento aqui é nos colocarmos no lugar de Laura.
Sendo um filme de suspense/horror, podemos esperar muitos sustos e imagens pavorosas, uma pena que a maioria dos sustos aqui sejam aqueles velhos clichês de aumentar o volume de repente fazendo você dar um pulo da cadeira. Na verdade o som, assim como toda a parte técnica do filme, que falarei mais adiante, é um dos grandes trunfos desse filme, afinal a edição e mixagem do mesmo é a responsável por criar todo o clima sobrenatural do longa.
Antes de prosseguir, devo confessar que não consegui parar de pensar em Horror em Silent Hill ao ver O Orfanato. Durante a exibição ficava pensando, já vi isso em algum lugar. Mas felizmente aqui, toda a tensão é feita pela construção de cena (som, fotografia, direção, etc) e não de imagens repugnantes e violentas como em Silent Hill. Na verdade, o filme espanhol se mostra sensível e tem um ar melodramático. É um filme bastante intimista. Digamos que a cena mais violenta de O Orfanato é uma quando Laura prende os dedos na porta do banheiro. Ah sim, nessa cena ela cai na banheira, a decupagem da cena é IDENTICA a que vimos no remake de Dawn of the Dead, quando a personagem de Sarah Polley cai na banheira depois que o marido dela vira zumbi. (Nossa é idêntica mesmo!!!)
O roteiro de Sergio G. Sánchez é hábil, mas, mais uma vez, fica se valendo de clichês e mais clichês para dar sustos. Mas, a equipe de Juan A. Bayona é competente. A construção das cenas é de um aprecio técnico singular. Apesar de estreante, Bayona se mostra hábil na direção que dá na câmera com o que quer e o que não quer mostrar, sem contar que ele bebe muito na fonte de mestres como Kubrick e Hitchcock. Falando na direção que ele dá às câmeras, dois momentos, na verdade três, não saem da minha cabeça. O primeiro deles é a cena de abertura, que por se tratar de um filme de suspense/horror espanhol já estava me preparando para um susto, o que não acontece. Essa cena se repete lá pelo final, mas é claro que aqui dei um pulo da cadeira com o coração na boca, a decupagem aqui é extraordinária. Outro momento muito feliz de Bayona é na cena em que a médium observa os fantasmas enquanto hipnotizada. Ah sim, ela é hipnotizada pelo eterno Senhor Barriga (Edgar Vivar) do seriado Chaves, sim ele faz uma participação no filme.
Se você espera muitos sustos e criancinhas assustadoras (coisa muito comum nos filmes de horror hoje em dia) O Orfanato é um prato cheio, não espere grandes inovações ou coisas assim. O final surpreende um pouco, mas, me pareceu escrito por M. Night Shyamalan, onde tudo é mostrado por meio de flash-backs e pequenas cenas inéditas, construindo assim a “grande” surpresa do filme.